Vacina contra dengue do Butantan suspensa temporariamente, entenda orientação do Ministério da Saúde para guardar doses, sintomas de alerta e investigação de 42 casos graves

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Ministério da Saúde orienta retenção das doses da vacina contra a dengue do Butantan, enquanto vigilância investiga relatos de reações graves, casos, óbitos em apuração e sequência de ações

A aplicação da vacina do Instituto Butantan contra a dengue foi temporariamente suspensa em todo o país, com a recomendação de que estados e municípios mantenham as doses já recebidas em estoque.

A medida tem como objetivo preservar a segurança da população, enquanto a vigilância do Programa Nacional de Imunizações avalia relatos de eventos adversos graves detectados em rotina.

As informações foram divulgadas pela Gazeta Nordestina e remetem ao comunicado oficial do Ministério da Saúde sobre a suspensão e as próximas etapas de investigação, conforme informação divulgada pela Gazeta Nordestina.

Suspensão e instruções oficiais

Segundo o Ministério da Saúde, o imunobiológico não será distribuído temporariamente, e os estoques devem permanecer na rede de frio até nova orientação. Em entrevista à Rádio Nacional, o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, afirmou que, "Nós não vamos distribuir mais vacinas de dengue por hora. Os estados que tiverem vacina de dengue no seu estoque devem segurar essa vacina. Os municípios que eventualmente tenham vacinas no seu território devem também guardar essas vacinas até segunda ordem".

O propósito desta suspensão é garantir que qualquer risco potencial seja investigado com calma, sem interromper outras campanhas nem desestimular a vacinação em grupos que seguem com imunizantes seguros.

Casos graves identificados e números oficiais

A vigilância de rotina do PNI identificou, até o momento, 42 casos de reações graves associadas ao imunizante aplicado. Entre esses relatos aparecem dores abdominais, vômitos persistentes, sangramentos e perda de consciência.

Além disso, há dois óbitos sob investigação para verificar eventual correlação com a vacina. Até agora, mais de 501 mil pessoas foram vacinadas com o imunizante em quatro cidades brasileiras, segundo os dados divulgados.

O Ministério ressalta que a detecção desses eventos raros demonstra o funcionamento do sistema de vigilância, e que a suspensão não anula a eficácia do produto na prevenção da dengue.

Quem deve ficar atento aos sintomas e o que fazer

Pessoas vacinadas com a vacina do Butantan nos últimos 21 dias devem observar sinais como febre, dor no corpo, manchas na pele, sangramentos ou vômito. Esse período é considerado crítico, porque o vírus atenuado pode ainda estar presente no organismo e, em casos raros, provocar reações.

Ao perceber qualquer sintoma compatível com dengue, a orientação é procurar um serviço de saúde imediatamente para avaliação profissional. Indivíduos vacinados há mais de 21 dias, conforme o ministério, não correm riscos e já contam com proteção estimada em 65% contra a doença e em mais de 80% contra casos graves e hospitalizações.

Próximos passos, comitê e vacinas alternativas

O Ministério da Saúde informou que um comitê de especialistas será convocado para analisar os dados da vigilância e avaliar as reações adversas identificadas. A decisão sobre retomar ou não a vacinação com o imunizante do Butantan dependerá das conclusões desse grupo, sem prazo definido até o momento.

Enquanto isso, o calendário do SUS mantém a aplicação da vacina Qdenga, produzida pela Takeda, que segue sendo utilizada normalmente e indicada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos.

As autoridades pedem que profissionais de saúde fiquem mais atentos a notificações e que a população informe qualquer sintoma após a vacinação, contribuindo para a vigilância ativa e a segurança do programa de imunização.

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