Por que o uso de corticoides sem receita eleva a pressão intraocular, quem está em risco, dados sobre prevalência no Brasil e o apelo por controle mais rígido
O uso indiscriminado de corticoides sem receita pode causar aumento da pressão intraocular, lesões no nervo óptico e, em casos graves, cegueira.
Colírios, pomadas e comprimidos com corticoide dão alívio rápido, o que incentiva o autotratamento, mas o efeito prolongado pode ser perigoso para os olhos e para a saúde geral.
Estima-se que no Brasil, pelo menos 1,7 milhão de pessoas convivam com a condição, sendo que cerca de 2,5% a 3,5% dos indivíduos com mais de 40 anos já são portadores da doença, conforme informação divulgada pela Gazeta Nordestina.
Como os corticoides afetam os olhos
Esses medicamentos dificultam a drenagem do humor aquoso, o líquido que circula dentro do globo ocular, o que provoca acúmulo e elevação da pressão intraocular.
O aumento da pressão pode aparecer após algumas semanas de uso contínuo, e se a medicação persistir sem monitoramento, o desenvolvimento de glaucoma e a consequente perda de visão tornam-se riscos reais.
O mecanismo é simples e silencioso, por isso o uso de corticoides sem receita exige supervisão médica e medição regular da pressão ocular.
Quem corre mais risco e sinais de alerta
É crucial notar que aproximadamente 90% dos pacientes com glaucoma já existente são sensíveis ao uso de corticoides, o que pode agravar a doença rapidamente.
Crianças expostas a colírios com corticoide por períodos prolongados podem apresentar aumento da pressão ocular ou desenvolvimento precoce de catarata.
Pessoas acima de 40 anos, pacientes com histórico familiar de glaucoma, e quem precisa de tratamento crônico com corticoides, formam grupos de risco que precisam de monitoramento constante.
Recomendações das entidades e ação política
Diante da gravidade da situação, a SBG, em parceria com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), enviou uma nota pública a órgãos como a Anvisa, o Ministério da Saúde e o Congresso Nacional, pedindo medidas para limitar o uso indiscriminado.
O presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, Roberto Murad Vessani, classificou o cenário como um “problema de saúde pública”, e defende exigir receita médica controlada para corticoides, no mesmo rigor aplicado a antibióticos.
Campanhas entre especialidades médicas também são recomendadas, para reduzir prescrições inadequadas e informar profissionais sobre os riscos oculares.
Como se proteger e quando procurar um especialista
Não use corticoides sem receita, mesmo para irritações leves. Procure orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento que contenha corticoide.
Se já estiver usando corticoide regularmente, marque avaliação oftalmológica para medir a pressão intraocular e monitorar o nervo óptico, e interrompa o uso apenas com indicação médica.
Além dos efeitos oculares, o uso indiscriminado de corticoides pode acarretar outras complicações sistêmicas, entre elas, aumento da glicose no sangue e o descontrole do diabetes, ganho de peso, retenção de líquidos, hipertensão, enfraquecimento ósseo e maior suscetibilidade a infecções e alterações hormonais, por isso a avaliação clínica é fundamental.
Informação, prescrição responsável e acompanhamento oftalmológico frequente são as melhores defesas contra os danos causados pelo uso irresponsável de corticoides.




