Ufal intensifica monitoramento do El Niño com o Radar Sirmal, avaliando efeitos sobre chuvas, temperaturas e a reposição de reservatórios em Alagoas, diante de projeções preocupantes
O fenômeno climático El Niño voltou ao centro das atenções, após alerta da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, NOAA.
Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas, por meio do Sistema de Radar Meteorológico de Alagoas, Sirmal, acompanham a evolução do aquecimento no Pacífico e seus possíveis reflexos regionais.
O texto a seguir detalha projeções, riscos para a Quadra Chuvosa e o papel do radar na gestão hídrica, conforme informação divulgada pela Gazeta Nordestina.
O que dizem as medições e as projeções
Os dados observados e divulgados trazem números que preocupam, o índice Niño 3.4 atingiu +0,7°C em junho, caracterizando o fenômeno. Segundo a NOAA, a agência projeta uma chance de 63% de um evento muito forte entre novembro e janeiro, o que o colocaria entre os mais intensos desde 1950, e a probabilidade de permanência do El Niño nos próximos trimestres é altíssima, beirando os 99%.
Essas projeções indicam maior probabilidade de anomalias climáticas em várias regiões do Brasil, com impacto especialmente observado no Nordeste, onde padrões de chuva e temperatura costumam ser alterados por teleconexões atmosféricas.
Impactos regionais em Alagoas
Embora o El Niño tenha origem no Pacífico, seus efeitos chegam ao Nordeste por mudanças na circulação tropical. Em Alagoas, os impactos são modulados também pelas condições do Oceano Atlântico Tropical, o que pode atenuar ou agravar os efeitos.
Sobre a agricultura e a segurança alimentar, a professora Luciene Melo, do Instituto de Ciências Atmosféricas, alerta que “Safras de milho, feijão e algodão são as mais afetadas, com reflexos diretos na segurança alimentar. Para Alagoas, as chuvas normalmente ficam abaixo da média e as temperaturas mais altas que a média climatológica”.
A região do Sertão é a mais vulnerável, pois depende da Quadra Chuvosa, de março a junho, para recarga de açudes e solo. Chuvas abaixo da média nessa fase podem comprometer abastecimento humano, pecuária e produção agrícola por meses.
Radar Sirmal e uso prático dos dados
O Radar Meteorológico da Ufal, coordenado pela professora Luciene Melo, opera em banda S e cobre um raio de aproximadamente 400 km a partir de Maceió, com cerca de 250 km de área de dados quantitativos.
O Sirmal permite observar em tempo real a frequência, organização e intensidade dos sistemas convectivos. Esses registros locais são comparados com climatologias de referência, oferecendo evidências sobre como o El Niño está modulando a precipitação em Alagoas.
Os dados do radar alimentam modelos hidrológicos, orientam a operação de açudes e reservatórios, e dão suporte à defesa civil em decisões operacionais, mesmo em anos mais secos, ao identificar eventos convectivos severos com risco de alagamentos.
O que esperar e medidas de prevenção
O pico do fenômeno é projetado para ocorrer entre outubro de 2026 e março de 2027, o que pode resultar em veranicos mais intensos e prolongados, reduzindo a umidade do solo e pressionando sistemas de abastecimento.
Entre julho e dezembro, período naturalmente menos chuvoso em Alagoas, o fortalecimento do El Niño pode inibir a pré-estação chuvosa, comprometendo a reposição hídrica para 2027. A falta de reposição é a preocupação imediata, mais que uma seca abrupta neste momento.
Parcerias entre Sirmal, Cemaden, Semarh e Defesa Civil são fundamentais para integrar dados locais a redes nacionais de monitoramento e alerta, otimizar operações de recursos hídricos e orientar programas emergenciais como o Garantia Safra.
Em resumo, o acompanhamento contínuo do El Niño pela Ufal e instituições parceiras é essencial para reduzir riscos, antecipar medidas de gestão hídrica e proteger populações e atividades econômicas mais vulneráveis em Alagoas.




