A iniciativa, em parceria com Abecmed, AMA-FN e Administração Distrital, fornece óleo de canabidiol, acompanhamento psicológico e pesquisa sobre impacto social na ilha
No arquipélago isolado, um projeto comunitário tem oferecido tratamento com canabidiol em Fernando de Noronha para reduzir crises e melhorar a rotina de famílias com crianças atípicas.
O trabalho combina distribuição de óleo de CBD e acompanhamento psicológico, com mutirões que já levaram consultas médicas gratuitas à população local.
Os organizadores também reúnem dados para medir impacto social e econômico e planejam uma sede para acolhimento integral das famílias, conforme informação divulgada pela Gazeta Nordestina.
Desafios de saúde em Noronha
A ilha enfrenta limitação de serviços, com apenas uma unidade de média complexidade, o que obriga deslocamentos ao continente para casos graves.
O isolamento geográfico eleva índices de problemas psicológicos, como depressão, ansiedade e insônia, e dificulta tratamentos contínuos e especializados.
Um levantamento do projeto indicou que a maioria dos atendimentos realizados em mutirões foi para questões de saúde mental, seguidas por neurodivergências e dores crônicas, o que mostra demandas persistentes por suporte psicológico na comunidade.
O papel do canabidiol no tratamento
O uso do canabidiol (CBD) tem sido apontado como ferramenta para controlar agressividade, insônia e agitação em crianças com TEA e TDAH, sintomas que sobrecarregam cuidadores.
O neurologista Eduardo de Sá Faveret explica que o CBD atua na regulação desse sistema, reduzindo a hipersensibilidade sensorial, ajudando a diminuir reações intensas a estímulos do dia a dia.
Além disso, uma vantagem do tratamento com canabidiol, segundo o psiquiatra Wilson Lessa Junior, é que ele não causa sedação ou sonolência, permitindo que crianças permaneçam ativas e participem de terapias importantes para o desenvolvimento.
Atenção às mães atípicas e próximos passos
O projeto dedica atenção às mães solo e cuidadores, que frequentemente assumem sozinhos responsabilidades de cuidado integral e desenvolvem adoecimento mental por sobrecarga.
Ladislau Porto, um dos idealizadores, lembra a fragilidade desse suporte com a frase, “quando a criança está em crise, ela tem a mãe. Quando a mãe está em crise, ela não tem ninguém”.
Casos como o da professora Rayane Dixie dos Santos e de Rebeca Allen mostram resultados práticos, com redução de crises, melhora do sono e menor sobrecarga para as famílias.
O projeto já realizou mutirões de saúde, oferecendo consultas médicas gratuitas e distribuição de óleo de canabidiol, e planeja a construção de uma sede permanente para oferecer acolhimento integral às famílias, conforme informado pela Abecmed.
Os próximos passos incluem ampliar a coleta de dados, envolver pesquisadores e buscar políticas públicas que respeitem abordagens integrativas e comunitárias para apoiar mães, crianças e cuidadores na ilha.




