Novas variedades de cana-de-açúcar desenvolvidas pela Ufal em parceria com a Ridesa chegam para fortalecer a agroindústria e ampliar produtividade no setor sucroenergético
A Universidade Federal de Alagoas apresentou cultivares de cana-de-açúcar desenvolvidas para aumentar a produtividade agrícola e a resistência a doenças, com foco no mercado sucroenergético.
As novidades serão liberadas regionalmente durante o 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar de Alagoas, em Maceió, integrando pesquisa acadêmica e demandas do setor produtivo.
Essas ações foram divulgadas pela Gazeta Nordestina, em matéria que detalha a participação da Ufal no Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar, conforme informação divulgada pela Gazeta Nordestina.
Novas variedades e características
Entre as cultivares destacadas com participação da Ufal estão a RB991532, a RB0764 e a RB07814, desenvolvidas em cooperação entre universidades e empresas do setor, com testes em diferentes regiões do país.
A RB991532 se caracteriza pela alta produtividade agrícola, facilidade de colheita e longa vida útil, além de excelente sanidade. Possui hábito de crescimento ereto, bom perfilhamento e resistência a doenças como ferrugens e carvão, sendo recomendada para ambientes intermediários e colheita em meio de safra.
A RB0764 se distingue pela alta produtividade, boa colheitabilidade e resistência às ferrugens marrom e alaranjada. Apresenta bom desenvolvimento em cana-planta e cana-soca, sendo indicada tanto para áreas de sequeiro quanto irrigadas, especialmente em solos de melhor qualidade.
A RB07814 oferece precocidade, alto teor de açúcar e um longo período de industrialização com baixa cor do caldo. Promete alta produtividade agrícola e boa estabilidade, com resistência a doenças importantes como ferrugem marrom e carvão, podendo ser utilizada em diversos sistemas de cultivo.
Impacto para Alagoas e para o Brasil
Segundo a matéria, “A liberação regional segue a recente Liberação Nacional de 18 novas variedades RB, realizada em São Paulo em outubro de 2025.” Essa etapa mostra a continuidade do processo de atualização genética das áreas canavieiras.
Também conforme a fonte, “As variedades RB já representam 56% da área de cultivo de cana no Brasil.” O dado ilustra o peso das variedades RB no cenário nacional, e a introdução de novas cultivares tende a ampliar esse protagonismo.
No âmbito local, “o censo varietal de 2026 em Alagoas já indica um predomínio superior a 90% de variedades RB na área de cultivo.” Esse índice reforça a rápida adoção de materiais genéticos validados pela pesquisa.
Integração entre universidade e setor produtivo
A iniciativa reforça a integração entre universidades, usinas e produtores, visando transformar resultados de pesquisa em aplicações práticas no campo, com validação regional das cultivares.
Como destaca a matéria, a Ridesa “opera no Brasil com um modelo de cooperação científica e tecnológica entre dez universidades federais, incluindo a Ufal.” Esse modelo acelera a transferência de tecnologia e adaptações locais.
O professor Geraldo Veríssimo, um dos fundadores da Ridesa, afirmou, “Isso demonstra a nossa grande competência e responsabilidade, contribuindo significativamente na elevação dos rendimentos agroindustriais das empresas, bem como na formação contínua de recursos humanos para o setor sucroenergético brasileiro”.
Ciência pública, infraestrutura e legado da Ufal
A Ufal coordena desde 1990 o Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar no Campus de Engenharias e Ciências Agrárias, com gestão de um banco de germoplasma na Serra do Ouro, em Murici.
Na estrutura da pesquisa estão subestações em Alagoas e na Bahia, onde ocorrem hibridações anuais e produção de sementes para avaliação regional das novas variedades.
A tradição da Ufal no melhoramento genético já resultou em cultivares de grande impacto regional, como a RB92579, que “chegou a ocupar mais de 40% da área canavieira no Nordeste”. A expectativa é que a nova geração de materiais mantenha o Brasil na vanguarda tecnológica do setor sucroenergético.
O lançamento regional das novas variedades de cana-de-açúcar pretende acelerar a adoção de cultivares mais produtivas e resistentes, reduzir riscos sanitários e oferecer alternativas técnicas para produtores e usinas, fortalecendo a cadeia do setor sucroenergético no estado e no país.




