A situação das grotas da capital alagoana e a ampliação de políticas públicas foram discutidas em audiência pública, na manhã desta sexta-feira (10). Convocada pelo velo vereador Luciano Marinho (MDB), o encontro reuniu representes do Governo de Alagoas e da Prefeitura de Maceió.

Segundo o vereador as duas gestões têm ações significativas na periferia da capital, mas há muitos outros problemas que precisam ser enfrentados. A questão da mobilidade, por exemplo, assim como a acessibilidade estão entre essas prioridades.

“Temos mais de 70 grotas na cidade e uma população de quase 300 mil pessoas que vivem nestes ambientes e constatamos várias necessidades. Há uma ausência de políticas públicas e a pedido de muitas lideranças resolvemos abrir essa discussão. Estamos trazendo o poder público municipal e estadual, além da comunidade residente nas grotas. É sabido que muito já foi feito pela parte do Estado e, agora, pelo município muitos investimentos sociais e econômicos, mas falta muito mais”, destacou o vereador.

Ele cita a situação da grota Bom Jesus, no Benedito Bentes, onde não chegou nenhum tipo de investimento. A falta da presença do poder público, com escolas, segurança, infraestrutura o acesso é muito difícil.

“Ela fica ao lado da Grota da Alegria,no Benedito Bentes, e as pessoas sofrem muito com a ausência do poder público. Por isso estamos querendo que esses representantes se sensibilizem para que possamos ampliar essas ações e levar dignidade para as pessoas”, completou o vereador.

Segundo Robson dos Santos, o Robinho das Grotas, as localidades sempre foram esquecidas de uma forma geral. Mas, através do Programa de Humanização das Grotas começaram a ser mais vistas. Porém, defende mais investimentos.

“As grotas eram desconhecidas e abandonadas. Hoje as grotas estão avançando e estão olhando para nós de forma diferenciada. A prova é que tem o projeto de Humanização das Grotas e o prefeito lançou o Brota nas Grotas. Há necessidade de políticas de esporte, saúde e segurança para salvar muitos jovens que vivem ociosos e necessitam de um curso profissionalizante”, defendeu Robinho.

De acordo com a representante do Governo do Estado, Alexandra Pedrosa assessora Especial de Relações Sociais, o governo tem todo o interesse de continuar investindo e fazer novos diagnósticos com base nos dados da ONU-Habitat para promover as ações.

“A perspectiva do governo é levar todos os serviços para as grotas. Pretendemos ampliar e hoje nós estamos atuando em 74 grotas e vamos agir em todo o Estado. Não atuamos somente na capital. Aqui existem 100 grotas. E a partir dos indicadores iremos trabalhar em todas elas, levando em conta as especificidades de cada uma”, explicou Alexandra.

Envolvido com cultura há mais de 30 anos, sendo referência nos Bois da capital, José Carlos da Silva, o Zé do Boi, está confiante que entre as políticas públicas a cultura tenha relevância. Ele acredita que na formação do cidadão com a cultura se soma a todas as outras ações como investimentos em saúde e educação.

“A humanização do cidadão tem várias vertentes para formá-lo. E nós acreditamos que a cultura tem seu valor. Hoje estão todos falando das grotas e ali existem valores que precisam ser acolhidos. Estão à margem da sociedade. Crescem sem destino certo. Então as famílias precisam de apoio. Mas a secretaria de cultura  necessita de recursos para ajudar as famílias e seus filhos com ações. Políticas de cultura são muito importantes para a formação do cidadão”, defendeu Zé do Boi.