Apesar de possíveis melhorias para a economia e a indústria brasileiras, as medidas anunciadas pelo Governo Federal na última quinta-feira, 25, para diminuir os impostos sobre o preço dos carros no país trazem luz a discussões relevantes: mais carros na rua impacta na diminuição do uso do transporte público e, consequentemente, trânsitos intensos, baixa qualidade de vida da população, mais acidentes e aumento das emissões de poluição na atmosfera.

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ônibus

“Não podemos deixar de lado as questões sociais e ambientais que são urgentes no Brasil. O subsídio, que é dito para aquisição de carro popular, não é nada popular, pois a maioria da população não possui renda para aquisição desses veículos. Esse custeio beneficia a classe média e um segmento de empresários específico. Esse apoio do governo poderia ser investido em subsídio de tarifa de transporte para estudantes, trabalhadores e para a classe social que não tem acesso ao transporte. É primordial o uso eficiente do espaço público, uma vez que as ruas não comportam mais carros e esse aumento favorece a crescente de acidentes de trânsito”, avalia Fábio Ferreira, CEO da Empresa 1, centro de inovação em mobilidade urbana.

Para o executivo, além das questões sociais, que precisam de atenção especial, há também o ponto ambiental: “o país tem potencial para ser protagonista mundial nas iniciativas e soluções contra as mudanças climáticas. Em um momento onde é essencial descarbonizar a economia, seguimos na contramão, medidas como a isenção de imposto incentivam exatamente mais emissão de CO₂ na atmosfera”, acrescenta.

Dados do Ipea indicam que, em média, são necessários 48 carros para transportar a mesma quantidade de pessoas que trafegaria em um ônibus e, ao optar pelo carro, cada pessoa lança 7 vezes mais gás carbônico na atmosfera do que se usasse um coletivo urbano.