O tombamento internacional da Serra da Barriga, em União dos Palmares, para transformá-la em  Patrimônio da Humanidade pela Unesco, foi discutido na manhã desta terça-feira (22), durante encontro entre o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, e o prefeito de União dos Palmares, Areski Freitas. A visita à União e a subida à Serra da Barriga, berço do Quilombo dos Palmares, fez parte das comemorações pelos 35 anos de criação da Fundação.

De acordo com o João Jorge, a ideia é levar à Unesco até  novembro deste ano a proposta de transformação da Serra da Barriga em Patrimônio da Humanidade, e para isso será preciso fazer uma campanha para mobilizar as entidades do movimento de negro em Alagoas. “Precisaremos do apoio do município, dos governos Federal e Estadual para realizar uma série de ações e preparar um plano para 2024, 2025 e 2026 para atingir esse objetivo”, afirmou. Ele explicou que uma segunda etapa será realizar uma série de investimentos no entorno de União dos Palmares para estruturar a cidade para receber turistas o ano inteiro.

blank

O prefeito Areski Freitas destacou que a presença em União dos Palmares do presidente da Fundação Palmares no dia em que a entidade comemora 35 anos era emblemático. “Essa visita veio para estreitar os laços do Ministério da Cultura e da Fundação Cultural Palmares com a histórica cidade de Zumbi dos Palmares, que foi berço do maior movimento libertário do país, o Quilombo dos Palmares”, enfatizou o prefeito.

Segundo ele, o município tem projetos para dar ainda mais estrutura a Serra da Barriga, como construção de um museu e um teatro que possa ser palco de atividades o ano inteiro, não apenas no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. A Serra da Barriga é bem tombado pelo Iphan desde 1986, monumento nacional desde 1988 e Patrimônio do Mercosul desde 2017. O local é considerado sagrado e de grande representatividade para o povo negro, onde foi criado o maior foco de resistência escrava do Brasil, o Quilombo dos Palmares. Aniversário

 blank

A Fundação Cultural comemorou nesta terça-feira, 22  de agosto, 35 anos de existência. A solenidade realizada no alto da Serra da Barriga foi uma forma simbólica de homenagear a memória de Zumbi dos Palmares e Dandara, conhecida como Rainha dos Palmares.

O presidente da Fundação, João Jorge Santos Rodrigues, pontuou que a entidade nasceu da experiência dos povos quilombolas, que hoje estão não  só nas zonas rurais, mas nas áreas urbanas das cidades. “A Fundação Palmares escolheu voltar a Serra da Barriga, berço do nascedouro dos povos quilombolas e do primeiro herói negro do Brasil”, afirmou João Jorge.

blank

“Palmares é um ponto de resistência jamais igualado nas Américas. A ideia é trabalhar com o governador e os demais responsáveis pelo o Estado para criar um novo momento para o Dia da Consciência Negra. A importância da Serra da Barriga é assunto internacional, conhecida em alguns lugares da África como um santuário. Queremos embaixadores de todo o mundo reconhecendo esse espaço”, disse.

A Fundação Cultural Palmares, criada em 22 de agosto de 1988, pela Lei nº 7.668, é a primeira instituição pública voltada para a preservação e a promoção dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira. Ela atua em três eixos fundamentais para promover a inclusão da população afro-brasileira no rol de diretos previsto pela Constituição: o social, o cultural, e o de gestão da informação.

blank

Figura, ainda, como referência na promoção, fomento e preservação das manifestações culturais negras e no apoio e difusão à implementação do Art. 26 A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que torna obrigatório o ensino das Histórias da África.