Para valorizar a cultura popular alagoana e proporcionar um reencontro com as tradições, a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), por meio do Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa), exibe a exposição “Retrato Reencanto” da artista arapiraquense Izabella Vitória.

A mostra da artista multimídia, que iniciou na sexta-feira (7), carrega a proposta de homenagear e trazer o retrato de personalidades da Cultura Alagoana. Além disso, proporciona um mergulho no imaginário da realidade, por meio de cada obra pintada a óleo, retratando a história das mulheres e das mestras alagoanas que lutam por um mundo sem opressões sociais. Para Izabella Vitória, a exposição busca possibilitar que o público sinta um reolhar das várias vertentes do trabalho dessas mulheres. “Reolhar a história dessas mulheres despertou um desejo de ampliar e disseminar para as novas gerações o pouco que aprendi com elas”, contou a artista.

“O intuito dessa exposição é instigar uma inspiração emancipatória e de pertencimento no imaginário popular através da criação de um cenário onde mulheres e mestras da Cultura Popular Alagoana fossem ressaltadas, podendo ilustrar as revoluções individuais como força propulsora coletiva e tecendo, desse modo, um desejo possível de reencantamento”, frisou Izabella.

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Rosa Delfino é servidora pública aposentada e destaca a importância da exposição possibilitar uma visibilidade para as personalidades do nosso estado. “Eu achei uma sensibilidade forte da Izabella expor a realidade dessas mulheres em cada obra e permitir que cada visitante conheça um pouco da história delas”, disse a aposentada. “Quero parabenizar a iniciativa da Secult em dar oportunidade aos artistas, que, muitas vezes, não são muito conhecidos no nosso estado. Esse fomento à cultura é muito importante para o desenvolvimento de Alagoas. Estou torcendo para que a Secult possa repetir mais eventos como esse”, completou Rosa Delfino.

Os paulistas Ana Cláudia Rossbach e Erik Rossbach acabaram de chegar em Maceió e o Misa foi a primeira parada deles para conhecer a cultura do estado. “É superinteressante absorver a cultura alagoana por meio de obras de pinturas. Esse foi o primeiro ponto que a gente pediu realmente para começar, pois queríamos explorar o histórico bairro do Jaraguá”, disse Ana Cláudia. “Ficamos surpresos em ver uma jovem artista brasileira visibilizando essas mulheres poderosas em suas obras. Ter mais exposições como essa é indispensável, pois o retrato local de uma pessoa nativa é bem interessante. Além disso, é superimportante para gente conhecer a nossa própria cultura. E valorizar também o que é nosso. Foi maravilhoso ter essa oportunidade de entrar aqui nessa exposição e nesse museu”, completou a paulista.

A exposição

A exposição está acontecendo no Museu da Imagem e do Som de Alagoas, localizado no Jaraguá, com entrada gratuita. As treze obras ficarão expostas até o dia 7 de agosto, e podem ser visitadas de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. Para a produtora da exposição, Madlene Delfino, produzir “Retrato Reencanto” pela segunda vez expõe a paixão pela cultura popular alagoana. “Eu acredito bastante no trabalho da Bella, primeiro porque tenho sentimentos fortes com a área cultural. Segundo porque a gente cria uma ligação tanto no âmbito profissional, quanto no pessoal. E acompanhar de perto a trajetória dessa relação artista-obra faz com que eu saiba o quanto é verdadeiro e feito com reverência a essas mulheres e manifestações representadas”, comentou a produtora.

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Segundo a organizadora do evento, a mostra “Retrato Reencanto” tem a proposta de transmitir uma sensação de realismo por parte de cada pintura. “A estética visual com cores quentes retrata de forma muito gostosa nossa memória, me acolhe e me sinto honrada em fazer parte disso, e espero ouvir as experiências pessoais de quem a visitar”, completou Madlene.

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O nome da exposição é impactante e carrega um conceito de reconectar as tradições alagoanas por meio do imaginário. A artista multimídia conta que cada retrato faz uma ponte para o imaginário da memória. “Bom, nesse sentido, a proposta de reencantamento aqui, parte também de um desejo de reconexão com nossas tradições a partir da luz lançada às mulheres e mestras que sempre estiveram aqui”, ressalta a artista. A exposição “Retrato Reencanto” é apoiada pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), via Lei Aldir Blanc Alagoas.

Quem é

Izabella Vitória é uma artista multimídia que vive e desenvolve o seu trabalho artístico no município de Arapiraca, localizado na região do agreste alagoano. Sua área de pesquisa é centralizada no fazer artesanal e experimental. A pintura é a linguagem central utilizada nas suas produções.

Além disso, ela trabalha com diferentes materiais e suportes para expressar a sua arte, a exemplo da tatuagem. Sua primeira exposição individual foi realizada em 2019 com o tema “Casa de Passagem” em colaboração com o Abrigo Maria das Neves, situado em Arapiraca. Izabella já colaborou com artistas e instituições em produções de feiras, festivais e mostras de arte e cinema. Além disso, já fez mediações culturais em exposições artísticas.

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A artista assina a criação de capas de álbuns musicais, cenários, indumentárias e produção de arte para clipe musical. Assina a direção dos curtas-metragem “O Canto” financiado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) e produzido pela Céu Vermelho Fogo Filmes, e “O Funeral de Amarilis”, produção independente apoiada pela Lei Aldir Blanc, em etapa de finalização. Em 2019 codirigiu o documentário “Ana Terra”. Fundou o Ateliê Agrestina em 2018 e realizou duas edições da Mama – Mostra de Arte das Mulheres Alagoanas, em 2020 e 2022.

Link das fotos: https://drive.google.com/drive/folders/1mxl7_hC6gsRn9nCeZtbifF64wo6v13yD?usp=drive_link