Pesquisa que cobriu quase todos os municípios mostra aumento de frequência, intensidade e duração das ondas de calor no Brasil, com impacto maior em idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade
Um estudo nacional revela números alarmantes sobre ondas de calor no Brasil, que já afetam a saúde pública de forma crescente.
O levantamento combina análise da frequência, intensidade e duração desses eventos com dados de internação e óbitos.
Os resultados mapeiam padrões de risco e apontam grupos mais vulneráveis, mostrando urgência em medidas de adaptação, conforme informação divulgada pela Gazeta Nordestina.
Mortes e internações associadas ao calor
Segundo o estudo, Brasil registrou mais de 120 mil mortes associadas a ondas de calor entre 2000 e 2019. O levantamento cobriu quase a totalidade dos municípios e traz um diagnóstico nacional sem precedentes.
Os pesquisadores encontraram efeitos consistentes do calor sobre a saúde, com aumento de internações por doenças respiratórias, como pneumonia, e por enfermidades geniturinárias, incluindo insuficiência renal.
Para crianças menores de 10 anos, o documento aponta que gastroenterites emergem como a principal causa de hospitalização associada ao calor extremo, pela maior vulnerabilidade à desidratação e à contaminação de água e alimentos.
Quem é mais vulnerável
O estudo identifica grupos com risco desproporcional, incluindo idosos, pessoas com doenças crônicas, mulheres e indivíduos com menor escolaridade.
Os autores relatam a existência de um gradiente social, com a frase “Identificou-se um gradiente social de risco na mortalidade, com um aumento percentual maior do risco de morte entre pessoas com menor escolaridade”, evidenciando desigualdades na exposição e na capacidade de adaptação.
Geograficamente, “a maioria dos municípios brasileiros experimentou um aumento na frequência e intensidade das ondas de calor entre 2000 e 2019”, com As regiões Norte e Centro-Oeste foram as mais afetadas por eventos frequentes e duradouros, enquanto o Sul e o Sudeste registraram episódios de maior intensidade em relação às médias históricas.
Recomendações e resposta do sistema de saúde
Os autores, divulgados por pesquisadores da Fiocruz e da UFBA, defendem o fortalecimento de sistemas de monitoramento e alerta antecipado para ondas de calor e a incorporação de dados climáticos às ações de vigilância do SUS.
A pesquisa destaca que é essencial incorporar informações climáticas às ações de vigilância epidemiológica e ambiental do SUS, para permitir resposta mais rápida e direcionada às populações em risco.
Como alertou Maurício Guerra, integrante do projeto ProAdapta, O calor extremo já está cobrando um preço alto em vidas no Brasil, reforçando a necessidade de políticas públicas, planos de contingência e cidades mais verdes e resilientes.
O que falta e o que pode ser feito
Especialistas pedem prioridade em sistemas de alerta, capacitação das equipes de saúde e ações locais de mitigação, como sombreamento urbano e acesso à água potável.
Investir em educação, proteção social e infraestrutura adaptada ao calor é apontado como essencial para reduzir mortes e internações associadas às ondas de calor no Brasil.
Os dados do levantamento servem como base para orientar políticas e reforçar que a adaptação climática é também uma pauta urgente de saúde pública.




